
Vamiré: Romance dos Tempos Primitivos
J.-H., aîné Rosny (1856–?)
O começo
Nas planícies da Europa, ia extinguir-se o mamute, as grandes feras emigravam para o pais da Luz; a rena fugia para o setentrião. O auroco 1 , o uro 2 , o veado apascentavam-se na erva das florestas e das planícies. O urso colosso, muitos tempos antes, havia já passado além da região das cavernas.
Os homens da Europa, os grandes dolicocéfalos 3 , achavam-se então disseminados desde o Báltico ao Mediterrâneo, desde o Ocidente ao Oriente. Habitantes das cavernas, mais relacionados que os seus avós da idade da pedra, mas sempre nómadas, a sua indústria elevava-se, a sua arte era graciosa. Esboços traçados a buril fraco, tímidos mas fiéis, representavam a luta do cérebro no encalço do sonho, contra a brutalidade dos apetites. Séculos depois, com a invasão asiática, a arte decairá, e o gracioso tipo daquela indústria só reaparecerá ao cabo de longos períodos.
Era no Oriente meridional, na estação em que as plantas abotoam.
J.-H., aîné Rosny (autor) morreu em 1940; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 2011.