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A Luta

Emília Moncorvo Bandeira de Melo (?–1910)

Romance2 h 50 de leitura147 páginas

O começo — I

Casava-se a Celina, filha mais velha da D. Adozinda Ferreira, quarentona bem conservada, e todo o velho e pequeno hotel familiar para convalescentes: Aos belos ares! debruçado à beira do morro de Santa-Teresa, como a mirar a esplêndida vista da cidade, em baixo, aparecia rejuvenescido e embelezado pela abundância de festões de flores e galhadas verdes, com que o iam enfeitando alegremente algumas criadas vestidas com garridice espaventosa, rindo com os hóspedes mais íntimos que as ajudavam.

— Ponha as dálias encarnadas aqui, seu Juvêncio… É para casarem com os crisântemos brancos…

— Casarem… casarem… Você Crescência, não tem outra ideia na cabeça senão a de casamento…

— Pois então?!… respondia a primeira, com um muxoxo de mulatinha espevitada, o dia é mesmo para se pensar nisso. Bem que eu quisera estar no lugar de D. Celina, mas… com outro noivo, já se vê… Olhem lá…

Um vulto de rapaz ladeava solitariamente os maciços espessos do jardim, como procurando fugir à atenção, e uma gargalhada esfuziou no grupo, que depressa fingiu mergulhar mais ativa-mente nos preparativos da ornamentação da casa, em cujas janelas baixas já se balouçavam frágeis cadeias cheirosas, invenção da Crescência, atravessando as abertas em forma de bambolins floridos. Um aroma quente de folhas e pétalas dava ao ambiente um cunho de festa. E já um tapete esmeraldino se estendia no solo, em frente à porta da sala térrea, em cujo recinto ainda vazio de convidados branquejavam panos de crochet forrando os móveis usados, enquanto, de cada mesinha, de cada étagère,dos dois consolos…

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