O Rebate, 16 de Julho de 1888
Júlio Ribeiro (?–1890)
O começo
A bandeira atual do Brasil não nos pode servir de símbolo nacional, a nós, republicanos, nem mesmo quando desornada dos atributos monárquicos.
A essa bandeira faltam todos os requisitos:
1º - Artisticamente, estheticamente, nada vale: verde e amarelo não são cores complementares; e juntas produzem ao órgão visual uma tal sensação de crueza, uma tal gritaria chromática, que desafina os nervos, que põe a gente de mau humor.
2º - Não tem condições físicas de durabilidade; exposta às intemperies, por poucos meses que seja, converte-se em um trapo de côrduvidosa, que faz lembrar um lenço vermelho de tabaquista, amolecido e desbotado por lavagens sucessivas.
3º - Não tem legitimidade heráldica: o amarelo não é côraceite na chromotecnologia do brasão.
4º - Traz recordações ominosas: lembra o estabelecimento da monarquia imperial na América do Sul, lembra os reinados desastrosissimos dos dois Pedros.
A desculpá-la destas mazelas não vale a gloria de que os brasileiros a cobriram na campanha do Paraguai. Essa campanha fratricida não teve razão de ser, senão pela imprevidencia, pela cegueira do governo imperial.
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