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Ao Longo de uma Ribeira

Bernardim Ribeiro (1482–1552)

Poesia3 min de leitura3 páginas

O começo

Ao longo da ribeira / que vai polo pé da serra, / onde me a mim fez a guerra / grande tempo grande amor, / me levou a minha dor. / Já era a tarde do dia, / e a água dela corria / por antre um alto arvoredo / onde, às vezes, ia quedo / o rio, e às vezes, não. / Entrada era do verão, / quando começam as aves / com seus cantares suaves / fazer tudo gracioso. / Ao rugido saudoso / das águas cantavam elas: / todalas minhas querelas / se me puseram diante. / Ali morrer quisera ante / que vir por onde passei. / Mas, como digo eu “passei”? / Antes nunca hei de passar / enquanto i houver pesar, / que sempre o i há de haver. / As águas, que de correr / não cessavam um só momento, / me trouxeram ao…

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