O Conde de S. Luiz
Thomaz José de Mello (1836–?)
O começo — FOOTNOTES:
[1] Tristão de Almeida lera a preclarissima obra de sir Francis Strolopp, e procurando um celebre químico alemão, conseguira que este lhe transformasse a fisionomia a ponto de se tornar desconhecido de si mesmo.
—E já lá vão as cinco, as seis, e as sete, e Jeronymo sem chegar! Virgem Santissima que lhe terá acontecido?
Isto dizia a infeliz Balbina, olhando ora para o relógio, ora para uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição, defronte da qual ardia a luz frouxa e melancólica de uma lamparina de azeite.
—Há dezoito anos que somos casados, continuou ela voltando se para a tia Marianna, e nunca tal me aconteceu! E sobretudo neste tempo! Quem nos diz que ele foi atacado pela febre, e que o levaram; morto talvez; morto, o meu querido Jeronymo? Deus permita que Martha se não demore. Ela já tinha tempo e mais do que tempo para voltar.
—Não se apoquente, sr.ª Balbina. Daqui à rua de S. Francisco não é tão perto como julga, e demais ainda não há uma hora que foi. Coitadinha! Desacostumada como está de andar por essas ruas! Porque não havia de me ter deixado ir em sua companhia? Valha-nos Deus! Não há senão desgostos para os que são bons como vossemecê.
Thomaz José de Mello (autor) morreu em 1905; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1976.