Aventura na Floresta
autoria não identificada
O começo
O moço Sandálio dos Santos ficou impressionado quando ouviu o ronco de um Ford Bigode bastante maltratado no pátio da casa comercial de Pouso Alegre, no interior do Município de Guarapuava, a cuja proprietária, uma viúva, auxiliava no inventário objetivando a cobrança de uma dívida ao engenheiro Francisco Natel de Camargo, para quem Santos trabalhava.
O carro, conduzido por um homem de estatura mediana e uma personalidade magnética, não era, na verdade, o que mais impressionava à medida que o veículo cessava sua marcha, perto de uma dezena de cavalos e burros o cercavam, tocados por vários homens.
Tratava-se de José Silvério de Oliveira, o Nhô Jeca, no momento em que chegava a Pouso Alegre com seu séquito de parentes e trabalhado res (“camaradas”, como se dizia), para adquirir a casa comercial que a viúva colocara à venda.
“Em 1928, numa certa ocasião eu me encontrava num lugar chamado Pouso Alegre, (…) e umas horas tantas chegou na mesma casa e viajando num fordeco um senhor que cheguei a saber na ocasião se tratava de Nhô Jeca Silvério. Conhecia outros irmãos desse senhor Nhô Jeca. Vinha ele com o intuito de arrendar a propriedade da viúva, negócio que mais tarde se realizou. Nhô Jeca vinha de Porto Santa Maria, no Iguaçu, isto dos lados de Candói. Logo ele e eu fizemos amizade. O mesmo se ocupava de safra, criações e engorda de porcos e comércio de balcão. Nessa andança fazia acompanhar-se por um grupo de trabalhadores que conduziam tudo o que tinham” (Sandálio dos Santos, Memórias).
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