Livros › A Rapariguinha e os Fósforos

Capa de A Rapariguinha e os Fósforos

A Rapariguinha e os Fósforos

autoria não identificada

Contos4 min de leitura3 páginas

O começo

Que frio! a neve caía, e a noite aproximava-se; era o último de Dezembro, véspera de Ano Bom. No meio deste frio e desta escuridão passou na rua uma desgraçada pequerrucha, com a cabeça descoberta e os pés descalços. É verdade que trazia sapatos ao sair de casa, mas tinham-lhe servido pouco tempo: eram uns grandes sapatos, que sua mãe já tinha usado, tão grandes, que a pequenita perdeu-os ao atravessar a rua a correr, entre duas carruagens. Um dos sapatos perdeu-o realmente; quanto ao outro fugiu-lhe com ele um garotito, com a intenção de fazer dele um berço para o seu primeiro filho.

A pequenita caminhava com os pezinhos nus, arroxeados pelo frio; tinha no seu velho avental uma grande quantidade de fósforos, e levava na mão um maço deles. O dia correra-lhe mal; não tinha havido compradores, e por isso não apurara cinco réis.

Pobre pequerrucha! que frio e que fome! Os flocos de neve caiam-lhe nos longos cabelos loiros, adoravelmente anelados em volta do pescoço; mas pensava ela porventura nos seus cabelos anelados?

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.