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Catarina a Camões

Elizabeth Barret Browning

Poesia4 min de leitura4 páginas

O começo

P'ra a porta onde não surges nem me vês / Há muito tempo que olho já em vão. / A esperança retira o seu talvez; / Aproxima-se a morte, mas tu não. / Amor, vem / Fechar bem / Estes olhos de que dissestes ao vê-los: / O lindo ser dos vossos olhos belos.

Quando te ouvi cantar esse bordão / Nos meus de primavera alegres dias; / Todo alheio louvar tendo por vão / Só dava ouvidos ao que tu dizias / – Dentro em mim / Dizendo assim: / "Ditosos olhos de que disse ao vê-los: / O lindo ser dos vossos olhos belos."

Mas tudo muda. Nesta tarde fria / O sol bate na porta sem calor. / Se estivesse aí murmuraria / Como dantes tua voz – "amo-te, amor"; / A morte chega / E já cega / Os olhos que ontem eram teus desvelo / O lindo ser dos vossos olhos belos.

Sim. Creio que se a vê-los te encontrasses / Agora, ao pé do leito em que me fino, / Ainda que a beleza lhes negasses, / Só pelo amor que neles eu defino / Com verdade / E ansiedade / Repetirias, meu amor, ao vê-los: / O lindo ser dos vossos olhos belos.

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