Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte (1923)
Alphonsus de Guimaraens (?–1921)
O começo — Olhos
IV OLHOS / Olhos sublimes, sombras chinesas, / Sob a arcaria das sobrancelhas… / Solar magnifico, onde princesas / Passam de túnicas vermelhas…
Olhos de poente, luares remotos / Por entre torres inacessíveis… / Rosas e lírios, goivos e lotos, / Rôxas violetas impassoveis…
Olhos viúvos, santos, blasphemos, / Ladainha dos Sete Peccados… / Nuvens doiradas de crisantemos, / Sonhos de místicos noivados…
Olhos pungentes, que choraes tanto, / Dias de luto, noites em calma… / Instrumentados por algum Santo / Para o responso da minh’alma…
Olhos profundos, florindo juntos, / Cheios do sangue dos sacrifícios… / Eças armadas para defuntos, / Dobres dos últimos ofícios…
Olhos, olhares evocadores / De espectros mudos de altivo porte… / Fechae a campa dos meus amores, / Officiantes da minha morte!
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