
Caramuru
O começo — I
De um varão em mil casos agitados, / Que as praias discorrendo do Ocidente, / Descobriu recôncavo afamado / Da capital brasílica potente; / Do Filho do Trovão denominado, / Que o peito domar soube à fera gente, / O valor cantarei na adversa sorte, / Pois só conheço herói quem nela é forte.
Santo Esplendor, que do Grão Padre manas / Ao seio intacto de uma Virgem bela, / Se da enchente de luzes soberanas / Tudo dispensas pela Mãe donzela; / Rompendo as sombras de ilusões humanas, / Tudo do grão caso a pura luz revela; / Faze que em ti comece e em ti conclua / Esta grande obra, que por fim foi tua.
E vós, Príncipe excelso, do Céu dado / Para base imortal do luso trono; / Vós, que do áureo Brasil no principado / Da real sucessão sois alto abono; / Enquanto o império tendes descansado / Sobre o seio da paz com doce sono, / Não queirais designar-vos no meu metro / De pôr os olhos e admiti-lo ao cetro.
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