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Oh que Rico Desenfado

autoria não identificada

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Oh que rico dezemfado / Vay no portal de Belem, / Que o Menino com a Culpa / Sae a jugar o Xadrez.

Venhaõ todos, todos cheguem, / Porque he muito para ver, / Que o meu Menino em nacendo, / Soubeſſe mais que ninguém.

Se quereis ter hum bom dia, / Todos à preça correi, / Vereis o Xàque, & mate, / Que a culpa dá deſta vez.

Tudo o que faz he com graça, / Ay JESUS que graça tem? / A gracinha, com que joga / Nam he para ſe perder.

A culpa que o viu infante / Julgou que tanta ninhez, / Nem armarſe ſaberia, / Mas ele ſe armou muy bem,

Como jugava o Menino / No mundo antes de nascer, / Deu lhe tal mate a culpa, / Que pagou quanto ela fes,

Eſtribillo.

Correi ao Portal, / Correi a Belem, / Aprendei a jugar, / Se ganhar quereis, / Que o Meſtre he Divino, / Se a culpa he cruel; / Mas nam vence a culpa / A tanto ſaber.

Coplas.

1 O Menino he tam deſtro no jógo, / Que nada o iguala, / Pois faz casa a hum Rey ſoberano / Da mais nobre casa. / Muito mal contra a culpa atrevida / O jogo ſe armava, / Porque a culpa ficou com as negras, / Elle com as brancas. / Ay meu amor? / Ay minha alma? / Não vi jogo depois, que me entendo / De tanta gananciá.

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