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Tentação (Adolfo Caminha)

Adolfo Caminha (?–1897)

Romance3 h de leitura166 páginas

O começo — I

— Ora, sempre vamos ao Rio de Janeiro, ao grande e espetaculoso Rio de Janeiro! — exclamou Evaristo, pousando o chapéu, com ar de triunfo. — É como lá diz o outro: — quem espera… Eu nunca me enganei com o Luís… nunca!

Saíam-lhe em jorro as palavras, num tom quente de vitória, de aclamação, de regozijo.

Adelaide não o compreendeu logo, e, sem o compreender, exultava diante da intempestiva alegria do marido, com os olhos nele, ansiosa.

— Que é, homem de Deus, que foi… Que mistério!

— Nada, filha, nada; estamos aqui, estamos no Rio de Janeiro — ouviste? — no grandioso Rio de Janeiro!

Ela sorriu com um muxoxo:

— Brincadeira!

— Brincadeira? Telegrama do Luís Furtado. Um emprego no Banco Industrial…

— Que é do telegrama? — perguntou Adelaide, arredando o cabelo dos olhos e com o mesmo sorriso de incredulidade.

— Cá está, no bolsinho; recebi quando menos esperava.

E, desdobrando o papel:

— 'Emprego Banco Industrial garantido. Venha. — Luís."

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