Tentação (Adolfo Caminha)
Adolfo Caminha (?–1897)
O começo — I
— Ora, sempre vamos ao Rio de Janeiro, ao grande e espetaculoso Rio de Janeiro! — exclamou Evaristo, pousando o chapéu, com ar de triunfo. — É como lá diz o outro: — quem espera… Eu nunca me enganei com o Luís… nunca!
Saíam-lhe em jorro as palavras, num tom quente de vitória, de aclamação, de regozijo.
Adelaide não o compreendeu logo, e, sem o compreender, exultava diante da intempestiva alegria do marido, com os olhos nele, ansiosa.
— Que é, homem de Deus, que foi… Que mistério!
— Nada, filha, nada; estamos aqui, estamos no Rio de Janeiro — ouviste? — no grandioso Rio de Janeiro!
Ela sorriu com um muxoxo:
— Brincadeira!
— Brincadeira? Telegrama do Luís Furtado. Um emprego no Banco Industrial…
— Que é do telegrama? — perguntou Adelaide, arredando o cabelo dos olhos e com o mesmo sorriso de incredulidade.
— Cá está, no bolsinho; recebi quando menos esperava.
E, desdobrando o papel:
— 'Emprego Banco Industrial garantido. Venha. — Luís."
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