Crônicas
autoria não identificada
O começo — I
O republicano brasileiro deve ser, sobretudo, eminentemente revolucionário.
Expliquemos o paradoxo.
A noção elevada de Pátria despida da feição sentimental que a caracterizava, assume hoje as proporções de uma brilhante concepção cerebral, em que entram como elementos únicos, necessários e claramente correlativos, as concepções do tempo e do espaço.
Mais, talvez, do que filho de uma região, o homem da modernidade é filho do seu tempo.
Vinculado ao território pelas tradições e pela família, a humanidade que é a generalização desta, e a história, que é a síntese racional daquelas, vinculam-no a seu século.
Da perfeita harmonia dessas concepções resulta o homem moderno.
Compreender a Pátria, isolando qualquer desses elementos, é incompatibilizar-se com o movimento evolutivo do progresso; é partir do egoísmo infecundo e criminoso de Bismarck ao altruísmo exagerado — ao cosmopolitismo não menos infecundo de Anarcasis Cloots, declarando-se cidadão do mundo!
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.