No Mês de Janeiro
Fernão da Silveira, coudel-mor
O começo
Do coudel-mor a anrryque dalmeida, que lhe mandou pedir novas das cortes que el Rey dom joam fez em monte moor o novo, sendo prynçype, o ano de setenta e sete sendo el Rey seu pai em frrança.
No mes de janeiro, / e ano de ssete, / na era que mete / dez setes primeiro, / em moor monte novo, / os povos s'ajuntam, / rrespondem, preguntam / mil cousas de provo.
Se o que se qua passa / quereys la sabe-lo / nam seja escassa / a maão eescreve-lo. / Mas pois o letreyro / ponto nam herra, / contara primeiro / o estado da terra.
A dous o vermelho / nom val mais o branco, / a dez o coelho, / perdiz faz derranco. / A vinte a gualinha, / de graça mil furtos, / doze turdos curtos / aquela chynfrynha.
A treze a çevada, / farelos a sete, / mas sua o topete / sobyndo a calçada. / Com paão de rreal / punhada ao gato, / três oytos o pato / e dous o açaqual.
Também taverneyro / da a quatro vinagre, / mas he moor milagre / quem qua tem dinheiro, / Ca conta que leo / de peros rroyns / me dam sete e meu, / por boons três quatryns.
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