Cegonhas e Rodovalhos
Louis Bouilhet (?–1869)
O começo
Salve, rei dos mortais, Sempronio invicto, / Tu que estreaste nas romanas mesas / O rodovalho fresco e a saborosa / Pedi-rubra cegonha!
Desentranhando os mármores de Phrugia, / Ou já rompendo ao bronze o escuro seio, / Justo era que mandasse a mão do artista / Teu nobre rosto aos evos.
Porque fosses maior aos olhos pasmos / Das nações do Universo, ó pai dos molhos, / Ó pai das comesainas, em crear-te / Teu século esfalfou-se. / A tua vinda ao mundo preparárão / Os destinos, e acaso amiga estrela / Ao primeiro vagido de teus lábios / Entre nuvens luzia.
Antes de ti, no seu vulgar instinto, / Que comião Romanos? Carne insossa / Dos seus rebanhos vis, e uns pobres frutos, / Pasto bem digno deles; / A escudella de pão outr'ora ornava, / Com o saleiro antigo, a mesa rustica, / A mesa em que, três séculos contados, / Comêrão senadores.
E quando, por salvar a pátria em risco, / Os velhos se ajuntavão, quantas vezes
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