Quatro Regras de Diplomacia
Frederico Francisco de Figanière
O começo — Á memoria do Duque d’Avila e de Bolama
A impressão deste livro estava bastante adiantada, quando veio a falecer o exímio personagem a quem vai dedicado.
Com este lamentável acontecimento, Portugal perdeu um dos seus mais ilustres Estadistas, cujos altos e raros merecimentos, já de todos reconhecidos, se farão com o tempo sentir cada vez mais, a medida que a imparcialidade, que a morte costuma afirmar, fizer sobresahir, pela recordação dos factos, a sinceridade de gênio do Duque de Avila e de Bolama, a nobreza, independência e solidez do seu caráter, e os relevantissimos serviços por ele prestados à Patria, que sempre amou com nunca desmentida lealdade. Se a morte traz consigo o esquecimento, é também às vezes um grande revelador, segundo uma lei da natureza que Shakespeare formulou em conhecidos versos:
«… what we have we prize not to the worth, / Whiles we enjoy it; but being lack’d and lost, / Why, then we rack the value, then we find / The virtue, that possession would not shew us / Whiles it was ours».
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