Herança de Lagrimas
Ana Plácido (?–1895)
O começo — I
Eis-me, pois, caminho de Lisboa, minha querida Henriqueta. Pediste-me uma descrição minuciosa dos pequenos incidentes de uma jornada de trinta e tantas léguas, e dos abalos, enlevos, ou fastios do meu coração. Desté coração de que a tua graciosa e feliz bacharelice diz coisas tão feias, até descrer da sua individualidade, excepto quando o sentes pulsar junto do teu seio. Sou eu responsável, mereço as acusações que me diriges, se algumas das fibras da minha alma se conservam fechadas no seu involtorio de gelo? O que eu não sei ainda bem, minha amiga, é se isto é um mal que me faz padecer, ou um bem que mé poupa a grandes magoas. Todavia, forçoso é confessá-lo, a minha alma tem anceios de…
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