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"Tudo Vai sem Novidade"

Gervásio Lobato (?–1895)

Humor2 min de leitura2 páginas

O começo

Os interlocutores são um morgado do Alentejo, que estava a gozar os rendimentos em Lisboa e um criado lá da sua herdade de Alter do Chão. O morgado, que já há tempo não tinha carta da terra nem notícias de seus pais, encontrou, uma manhã, na Praça do Comércio, embasbacado a ver render a guarda, o seu criado.

— Olá! Tu por aqui, Tibúrcio?

— Ah! O meu patrão!

— Então vens a Lisboa e não me procuras? Não vens logo a minha casa?

— Ora essa!… Então não havia de lá ir?

— Pois sim, mas não foste.

— Ia já lá...

— Chegaste agora mesmo?

— Não, senhor; cheguei ontem e, desde que cheguei que estou para ir lá já...

— Então como está tudo por lá?

— Tudo bom, muito obrigado.

— Meu pai, minha mãe, a casa?

— Tudo bem, sem novidade.

— E o meu cavalo ruço… o Janota?

— Ah! É verdade; esqueci-me de dizer-lhe; esse é que não tem lá passado muito bem.

— Ah! Sim! O que tem ele? Está doente?

— Não, senhor.

— Ah! Meteste-me um susto! Um cavalo que me custou 50 libras!

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