Violeiros do Norte (1925)
Leonardo Mota (?–1948)
O começo — “De rebus pluribus...”
Os versos de amor não são o forte dos cantadores. Quando dois cantadores se defrontam, o que é inevitável é o desafio bulhento e arrogante em que varonilmente põem ambos em prova os próprios dons de improvisação. Por isso foi que Ferino Jurema disse em carta a Francisco Romano:
Fui chegando em Agua Doce, / Encontrei Mané Fulô, / Coitadinho! só sabia / De cantiguinhas de amor… / Eu não aggravei a ele / E nem ele me agravou…
E’ preciso que o cantador não tenha um rival com quem se bata, para que se entregue ao descante de romances amorosos ou de simples trovas, o que mormente acontece si no auditório se acham mulheres. E’ o dengue das morenas, é a faceirice das caboclas que ameiga o estro masculo dos violeiros:
Eu canto, há dezoito anos, / Há vinte toco viola… / Si vejo mulher bonita, / Eu fico todo pachola: / Fico que nem passarinho / Que vê melão em gaiola…
Quando, curioso de conhecer o folklore parahybano, deliberei percorrer de leste a oeste a Parahyba, para o que entrei em Cabedello c sai em Cajazeiras, tive de me demorar alguns dias na capital do Estado. Vi-me, então, presenteado com uma coleção de quadrinhas populares pelo jovem jornalista Adhemar Vidal, redator d’“A União”. Vezes sem conta, tive ensejo de verificar serem efetivamente populares todas as quadras prefaladas, muitas das quais, entretanto, não eram inéditas e outras já eram de meu conhecimento. Pertenciam a essa collectanea as quadrinhas abaixo transcritas: / Antão, meu querido Antão, / Me responde já e já: / Perdeste teu coração / No bairro de Tambiá?
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