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Da Pulga e Mosquito

António Marques Lésbio

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Mandam-me que em um romance / descreva qual mais me enfada, / se um mosquito sacabuxa, / se uma pulga secretária.

Dizer de sua justiça / aos delinquentes se manda, / mas dizer dos delinquentes / só a mim se me mandara.

Muitos dizem o que entendem, / e a fé que não dizem nada, / porém eu digo o que sinto, / e disto sei o que basta.

Melpómene se alguma hora / andaram nas tuas abas, / ou de pulgas a caterva, / ou dos mosquitos a praga.

Dá-me uma veia picante, / porém não veia picada, / que de chanças estar quero / com quem já estive de chanças.

Mas já contra o meu romance / a censura vejo armada, / porém se trata de pulgas, / que muito que leve unhadas.

Menos me molesta a pulga, / pois quando à orelha se agarra, / presumo que pode vir / do seio de alguma dama.

Que inda que me faça touro, / estando à orelha filada, / faz o que podem fazer / muitas mulheres honradas.

Em solicitar o ouvido / é lisonja, e não matraca / pois me vem dizer à orelha / o que no mundo se passa.

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