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Teófilo Braga e a Lenda do Crisfal

Delfim de Brito Guimarães (1872–?)

O começo — I Razão de ser d'este livro

Quando em maio de 1908 tornamos pública a conclusão a que havíamos chegado de ser Crisfal um pseudónimo do autor da Menina e moça , como procuramos demonstrar no volume recentemente dado à estampa: Bernardim Ribeiro ( O Poeta Crisfal ), tínhamos o convencimento pleno de que uma tal nova, divulgada pela imprensa, seria bem acolhida por quantos se interessam pelo estudo da nossa História literária, com excepção apenas do snr. dr. Theóphilo Braga. O laureado professor do Curso Superior de Letras não perdoa a quem quer que seja que ouse discordar de suas sentenças, nem vê com bons olhos que outros, que não s. ex.a, encarem problemas que se prendam com a História da literatura portuguesa.

E neste caso do Poeta Crisfal , mais do que em nenhum outro, o snr. dr. Theóphilo Braga não desejava que ninguém bulisse, pelo motivo que teremos ocasião de apontar no decurso deste livro.

Não contavamos com o acolhimento benévolo [6] do infatigável escritor. Para fundamentar o nosso juízo, bastava-nos invocar os precedentes sabidos, tristemente lembrados, e, muito em especial, o desforço pouco generoso do snr. dr. Theóphilo Braga para com a memória desse desventurado que se chamou Antero,―porque o poeta incomparável dos Sonetos ousara flagelar o dogmatismo científico do antigo camarada universitário; o fel que o plumitivo da Historia da Litteratura deixa transparecer nas apreciações com que, baldadamente, procura amesquinhar a figura gigantesca de Herculano,―porque o insigne historiador nacional jamais se associou aos turibulários do filósofo comtista (sem calemburgo);―o…

Delfim de Brito Guimarães (autor) morreu em 1933; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 2004.