Livros › Manoel Thomaz Pinheiro Aragão › Anti-Pavorosa - Parodia Cristã

Capa de Anti-Pavorosa - Parodia Cristã

Anti-Pavorosa - Parodia Cristã

Manoel Thomaz Pinheiro Aragão

Poesia6 min de leitura5 páginas

O começo

I Fatal maldição da Eternidade, / Dos vivos ilusão, vida dos mortos; / Ou gloria para sempre, ou sempre inferno / De desordens, de crimes opressora. / Não forjada por déspotas, por bonzos. / Mas sim por divinal credulidade; / Dogma infalível, que o prazer arreigas / Quando a sizania c′o remorso arrancas; / Dogma infalível, favorável crença. / Digno prêmio de peitos inocentes, / Das delicias gozando, que mal fingem / Impávidos à fúria Centimanos, / Que vomitando estão perpetua chama; / Superiores motejam o seu engano. / No limiar das Parcas, eis o quadro / Que observa em vivas cores a ignorância, / Igualmente a ciência em vivas cores; / Inda que eu por ciente só conheço / A quem teme os…

A quem lamenta inúteis suas preces, / Por mais que em giro ao trono ele as espalhe. / Teme o sábio que um Deus irado o fira, / E penitente vai, suplica a venia / Ao dispenseiro seu, nobre e sagrado; / Que ora as graças lhe abre, ora as ferrolha; / As graças, que co′as leis da natureza / Se ligam sempre, eternas, necessárias, / E só quando a vontade as torna em crimes / Cruel desunião n′elas fomenta; / Por vê-la rebellada lhe fulmina / Prisões suaves no jejum, cilicio. / Que n′um geral concelho só lhe arbitra: / Humilde, pede resarcir-se a benção; / Soberba, porque quer desenfadar-se / No jugo que remata nas delicias, / Recáe n′outro maior, que a morte vende.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.