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Cartas de Amor ao Cavaleiro de Chamilly

Mariana Alcoforado (?–1723)

Biografia e memórias52 min de leitura45 páginas

O começo — Prólogo

O estudo definitivo sobre a autenticidade das Cartas da Freira portuguesa; a existência, em Beja, da grande e desventurada amorosa; e até se fora ou não o senhor de Chamilly quem ateára esses arroubos de paixão esbraseante, — tudo isso só está irrefragàvelmente esclarecido desde 1888. Foi pelo trabalho precioso de Luciano Cordeiro que a questão ficou posta a toda a luz. Tudo o leitor ai encontra minuciosamente explanado — mais de dois séculos depois do aparecimento das Cartas!

Portugal tem sido sempre um pais de maravilhas — e de desleixados. Em letras e belas-artes é quasi criminoso o que se deixou esfarrapar e esboroar. Quando um grito se erguia reclamando documentos ou elucidando-os, esse apelo ou essa lição perdia-se fatigadamente entre o encolher de ombros dum desdém quasi geral. O tempo que levou a aparecer um estudo completo àcérca da autenticidade das Cartas de Sóror Mariana é um exemplo característico da nossa velha incúria.

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