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A Estatua do Poeta: Ode Nacional

Joaquim de Araújo (1858–1917)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo — I

Num vozear estridulo e vibrante, / Irrompe a multidão: / Palpita como um hino triunfante, / Em cada coração.

Vem pagar uma divida sagrada, / E, em francas ovações, / Junto à Estatua de bronze imaculada, / Victoría Camões.

Três séculos havia, a morte escura / Fulminara esse herói, / Que até na doce paz da sepultura / Tão desgraçado foi!

Três séculos havia. Inenarravel, / Essa agonia atrós: / No catre do hospital, inexorável, / A Morte, o duro algoz.

E, cá fora, ao bom Sol, o claro amigo, / Cá fora do hospital, / Os vilões trabalhando no jazigo / Do antigo Portugal…

Um circulo dantesco e pavoroso: / O Genio num covil, / E no triunfo, erguido e majestoso, / O asqueroso reptil.

A Traição galanada: o cru Cinismo / Fingindo de Altivês: / Hiante, escancarado, o fundo abismo / Do nome português.

Não há na infâmia quem se não adestre, / Esmagando troféus, / Tal como sobre a túnica do Mestre / Jogavam os Judeus.

Joaquim de Araújo (autor) morreu em 1917; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1988.