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As Ratices da Rattazzi: O pelo Nacional

Ramalho Monteiro (1862–?)

Crônica e ensaioHumor12 min de leitura11 páginas

O começo — I

Não pensem que eu vou descarregar algumas baterias de retórica, contra uma audaciosa Maria que revestida de petulância fidalga e principesca—que é mais—divertiu-se em descalçar a luva elegante, para nos atirar à guisa dindomável simpatia, uma bombasinha despalhafato, a qual por felicidade sua ainda lhe arrebentou na mão gentil.

Não senhores, não vou, não foi para isso que ousadamente me saí do casulo da minha nulidade.

Eu venho muito simplesmente manifestar a minha profundissima admiração, em face do borburinho espantoso que para aí se está fazendo, por causa de um livrinho tão precioso como o Portugal à vol doiseau .

Realmente é-me extremamente doloroso presenceiar os maus tratos que todos os dias e por todos os modos, se estão aplicando à pobre princesa, sua autora. Não posso ver isso, revolto-me, indigno-me, porque os acho não só injustos, como violentos, covardes.

A despretenciosa mulherzinha andou um rôr de tempo a barafustar atrapalhadamente, no bem honroso empenho de nos tornar conhecidos lá fora , pois tinha tido inúmeras ocasiões davaliar o quanto essa gente da Europa dá mostras de nunca ter enxergado nas cartas geográficas o nosso delicioso torrão. Ela, a quem um amor genuinamente material impelia para nós, que morria mesmo de desejos por nos cobrir carinhosamente com as paginas amorosas de um livro modesto:—ao vêr-nos assim fortes e robustos quais somos, cheios de vigor, perfeitos e belos, sobretudo os do sexo forte—o que decerto mais lhe interessava—, ela entusiasmou-se grandemente, e dominada então de certo despeito também, por se ver…

Ramalho Monteiro (autor) morreu em 1949; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 2020.