O Brasil
Pedro de Calasans (?–1874)
O começo
De perlas, safiras, de mil esmeraldas, / De ricos brilhantes a fronte engrinaldas, / Gigante, orgulhoso, soberbo Brasil. / Na historia dos povos teu nome escreveste, / Mil palmas e louros, na infância, colheste, / Colheste-os com gloria, batendo o fusil.
De lindas estrelas, de luzes brilhantes / Teu céu é bordado; subtis, cambiantes / Destendem-se as nuvens ligeiras no ar; / E as luas formosas de pálidos lumes, / E as flores e os dias e os gratos perfumes / São mimos, que a Europa bem pode invejar.
Teus bosques frondentes, teus campos e montes, / E os mares e os rios, regatos e fontes, / São verbos, são frases, que dizem—valor—. / Não durmas, não tremas, nem curves o colo, / Que a turba, que passa por sobre o teu solo, / São livres, são moços da idade na flor.
Não és tu a pátria dos grandes Andradas / Na voz de tribunos plantando as cruzadas / Em prol dos teus foros negados em vão? / Não és o guerreiro, que as hostes imigas, / Na guerra amestradas, sem custo profligas, / Vencendo os valentes de Ormuz e Ceylão?
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