Motta Coqueiro
O começo — I
Macaé, pequena cidade do litoral da província do Rio de Janeiro, não conhece a vida ativa e estrepitosa das grandes cidades populosas.
Olhando ao longe o oceano que vem, às vezes acovardado e murmurando apenas, às vezes espumando e bramindo estender-se ou arremessar-se na praia donde ela surge, o aspecto da cidade e o do oceano contrastam singularmente.
É que enfrentam o movimento das vagas, quase sempre brusco e violento, e a mais tranquila quietação; o ruído que por horas de tempestade assoberba-se, avoluma-se e prorrompe em escarcéus medonhos, e o silêncio que de contínuo reina nas ruas e praças pouco transitadas.
Para ligar a vida cidade e a do oceano só há os navios ancorados, que ficam silenciosos, oscilando ao tom das ondas, de maneira que os seus extensos mastros como que fingem pontes movediças interpostas a ambos.
No dia 26 de agosto de 1855 dir-se-ía que uma inesperada mudança se havia efetuado, trocando-se repentinamente os papéis entre si.
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