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O Inferno (Auguste Callet)

Pierre-Auguste Callet

3 h 40 de leitura193 páginas

O começo — Advertencia do traductor

Neste memorável ano de 1871, o sacerdócio militante da cristandade lusitana subiu aos baluartes mais desamparados, aos púlpitos de grande parte do reino, e desembestou certeiras fréchadas ao rosto da impiedade.

No púlpito da igreja de S. Martinho de Cedofeita, desta cidade do Porto, — que não é a mais pecadora, porque é a menos ociosa, — discorreu apostolicamente um padre italiano, que eu não ouvi.

Não fui ouvi-lo, porque já tenho muitissimos anos e bastante leitura para conhecer que direitos tem Deus e o próximo ao meu amor.

Não o fui ouvir pela mesma razão que evito alguns livros prohibidos, receoso de que eles estremeçam os alicerces da minha fé.

Não fui ouvi-lo, enfim, porque há um sermão que eu sei de cor, e repito quando tenho sede fé, ânsias de misericórdia, tibiezas de esperança: é o sermão da montanha, pregado aos pobres por nosso Senhor Jesus Christo.

Este sermão ainda meus filhos o não sabem; mas hão de aprendê-lo quando as primeiras lagrimas lhes tiverem delido as manchas escuras do intendimento. É preciso ter chorado para compreender a bem-aventurança dos que choram. Jesus Christo, se houvesse dito aquelas divinas palavras aos felizes, não seria intendido no apostolado, nem seguido na vida, nem chorado na morte, nem confessado no martírio.

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