Os Deuses da Grécia
O começo
Quando, co' os tênues vínculos de gozo, / O' Venus de Amathonte, governavas / Felices raças, encantados povos / Dos fabulosos tempos;
Quando fulgia a pompa do teu culto, / E o templo ornavão delicadas rosas,
Ai! quão diverso o mundo apresentava / A face aberta em risos!
Na poesia envolvia-se a verdade; / Plena vida gozava a terra inteira; / E o que jamais hão de sentir na vida / Então sentião homens.
Lei era repousar no amor; os olhos / Nos namorados olhos se encontravão; / Espalhava-se em toda a natureza / Um vestígio divino.
Onde hoje dizem que se prende um globo / Cheio de fogo, — outrora conduzia / Helios o carro de ouro, e os fustigados / Cavallos espumantes.
Povoavão Orcades os montes, / No arvoredo Doriades vivia, / E agreste espuma despejava em flocos / A urna das Danaides.
Refugio de uma ninfa era o loureiro; / Tantalia moça as rochas habitava;
Suspiravão no arbusto e no canniço / Syrinx, Philomela.
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