Livros › José Pedro Xavier Pinheiro › A Divina Comédia (Xavier Pinheiro)

Capa de A Divina Comédia (Xavier Pinheiro)

A Divina Comédia (Xavier Pinheiro)

José Pedro Xavier Pinheiro

Poesia9 h 50 de leitura523 páginas

O começo — grafia atualizada/Inferno/I

Dante, perdido numa selva escura, erra nela toda a noite. Saindo ao amanhecer, começa a subir por uma colina, quando lhe atravessam a passagem uma pantera, um leão e uma loba, que o repelem para a selva. Aparece-lhe então a imagem de Virgílio, que o reanima e se oferece a tirá-lo de lá, fazendo-o passar pelo Inferno e pelo Purgatório. Beatriz, depois, o guiará ao Paraíso. Dante o segue.

Da nossa vida, em meio da jornada, / Achei-me numa selva tenebrosa, / Tendo perdido a verdadeira estrada.

Dizer qual era é cousa tão penosa, / Desta brava espessura a asperidade, / Que a memória a relembra inda cuidosa.

Na morte há pouco mais de acerbidade; / Mas para o bem narrar lá deparado / De outras cousas que vi, direi verdade.

Contar não posso como tinha entrado; / Tanto o sono os sentidos me tomara, / Quando hei o bom caminho abandonado.

Depois que a uma colina me cercara, / Onde ia o vale escuro terminando, / Que pavor tão profundo me causara.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.