Discurso de Antônio de Sousa de Macedo na Aclamação de D. Afonso VI de Portugal (1656)
O começo
Muito Alto, muito Poderoso, e muito Excelente Príncipe.
Sem razão se queixa o gênero humano da Natureza não isentar da morte um sujeito quase divino, que traz sempre o rosto no Céu, em sinal de sua preeminência, quando a virtude que é só bem do Homem fica imortal. O morrer, antes, é benefício da Natureza, porque assegura a glória da virtude, acabando-se os riscos de cair no infalível de haver perseverado; e nascendo os aplausos só da justiça, pois nem a morte os pode sepultar, nem a adulação serve aos mortos; por isso os panegíricos nas exéquias de um Varão Ilustre nunca são tristes: para celebrarem sua imortalidade referem suas ações, e não há coisa mais indigna de tristeza que a relação de ações generosas. Quem chorar em sua morte não devera…
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