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Capa de Sangue Limpo (1863)

Sangue Limpo (1863)

Paulo Eiró (?–1871)

Teatro17 min de leitura15 páginas

O começo — Prefacio

Seja-me permitido escrever algumas linhas preliminares, não em favor da obra, pois como disse Madame de Stael, « um livro de- fende-se a si mesmo », nem para expender dificuldades insepara- veis de um ensaio em gênero tão escabroso de literatura, mas para manifestar o pensamento capital que presidio à confecção deste drama.

Em princípios do ano de 1859, o Conservatorio Dramatico Pau- listano, tentando pôr em pratica uma ideia cheia de patriotismo, abriu um concurso literário, destinando prêmios para o melhor drama original, revestido de moralidade, que tivesse por assumpto algum dos gloriosos episódios da historia de nossos pais. Apesar de minha fraqueza e obscuridade, propuz-me a entrar na liça, satis- feito de antemão com a ideia de ser vencido por engenhos nasci- dos no mesmo berço. Lançando um ligeiro olhar sobre o nosso passado, descubri sem grande custo o assumpto que desejava. E' com razão que Charles Ribeyrolles disse que a nossa historia tinha uma pagina, a da Independencia; e eu já pensava assim…

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