O Natal dos Coleirinhos
O começo
Foi o menino da quitanda quem lhe vendeu o alçapão. Custou mil reis, juntados em um mês, de tostão a tostão. E foi um triunfo memorável quando ele apareceu no morro, entre os outros, sobraçando a gaiola com a chama, um embrulhinho de alpiste e o alçapão de cana todo novo. Quem não foi rei um dia na vida?
— Bota na paineira, Maneco. Já tem prego.
E o Maneco armou o alçapão no lugar onde a experiência dos passarinheiros lhe indicara como o melhor para pegar coleiros virados.
E, com efeito, ao fim de duas horas tinha caçado um pardinho. Queriam trocar por um xanxão, por um serra-serra e até lhe davam quinhentos réis por ele, mas o Maneco não cedeu por preço algum o primeiro passarinho que apanhara.
Quando ele chegou em casa, de volta, as irmãs fizeram-lhe uma condigna recepção. A garotada da vizinhança admirou-lhe a glória e invejou-lhe a caça. O Maneco impava de inconcebível júbilo e esplendido orgulho. O coleiro foi para uma gaiola especial; ficou pendurado na sala de jantar e foi admirado o dia inteiro.
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