
Flores do Mal
Charles Baudelaire (?–1867)
O começo — A Beleza
A Beleza / De um sonho escultural tenho a beleza rara, / E o meu seio, — jardim onde cultivo a dor, / Faz despertar no Poeta um vivo e intenso amor, / Com a eterna mudez do mármor de Carrara.
Sou esfinge subtil no Azul a dominar, / Da brancura do cisne e como a neve fria; / Detesto o movimento, e estremeço a harmonia; / Nunca soube o que é rir, nem sei o que é chorar.
O Poeta, se me vê nas atitudes fátuas / Que pareço copiar das mais nobres estátuas, / Consome noite e dia em estudos ingentes…
Tenho, p’ra fascinar o meu dócil amante, / Espelhos de cristal, que tornam deslumbrante / A própria imperfeição: — os meus olhos ardentes!
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.