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Santa Rita Pintor In Memoriam

Carlos Parreira (1890–1950)

Biografia e memóriasArte6 min de leitura5 páginas

O começo — MCMXIX · +GUILHERME DE SANTA RITA+

Guilherme de Santa Rita, que o despeito caraïba de um jornal, no peixe-e-carne de um dos seus +menus+ necrologicos, apostila jogralmente de «um dos mais entusiasticos cultores +dessa coisa a que se chama para aí o futurismo+ »,—Guilherme de Santa Rita era por dentro e por fora um Artista, um representante legítimo dessa especie de +exilados+ , sempre ferido pelo gume das cousas circundantes, sobrepairando numa atmosfera de abstráções e desdéns, ao mesmo tempo fálhos e complexos, argila e chama, que a Vida pulveriza, como as crianças malignas as azas das borboletas.

Com a sua figura grácilmente exangue de fim de raça, com a sua voz que ora parecia +ter remorsos de falar+ —voz de himoptise, a extinguir-se; ora fazia parar na rua, no mosaico dum café, no simulacro de gruta dum +hall+ de exposições, onde certos visitantes vão e veem como peixes mortos boiando à flor dágua duma piscina,—fazia deter, com timbres angulosos de cristais a partir-se, anatomias ruminantes de bons-senhores +effarés+ ; com o seu perfil de caule em que as andainas-sacos de +kappelmeister maniaco, +acintosamente+ mal aprumadas, evocavam cerimoniaes místicos de catafalco; com os seus cabelos dum castanho tranzido de escuro, dir-se-iam molhados sobre a fronte dum palôr de camélia…

Carlos Parreira (autor) morreu em 1950; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 2021.