
Flor de Sangue
O começo — Prefácio
Julguei conveniente, a bem da retidão do julgamento desta obra, precedê-la de algumas sinceras e curtas explicações.
Há 20 anos que escrevo para o público e mesmo, a rigor; há mais tempo ainda, pois na idade de 15 anos já eu publicava em jornais de província linhas de prosa e de verso, que só a meninice do autor tornava suportáveis à paciência benévola dos leitores. Nesses quatro lustros de atividade mental tenho feito um pouco de tudo - versos, folhetins, contos, panfletos, critica, biografia, artigos de todo gênero, teatro, que sei eu? E tenho construído com parte desses materiais para mais de uma dúzia de livros.
A critica tem-me reconhecido, com munificência que me há penhorado, um espírito vivaz, variável, curioso; uma atividade indefesa; um certo amor à língua vernácula, e daí pronunciado carinho no escrevê-la e um estilo correto e agradável; porém não tem ocultado o seu pesar por me não ver abalançar-me a isso que chamam os críticos "obra de fôlego" ou "trabalho sério" - um poema, um romance, um livro de crítica profunda. Ora, eu devo confessar que essa censura me calou sempre no espírito por havê-la formulado muitas vezes a mim próprio. Mas a necessidades inadiáveis da vida material, tão pesadas para um pai de família pobre nesta terra em que das letras ainda se não pode viver exclusivamente,…
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