
As Relações Luso-Brasileiras
José Barbosa (1869–?)
O começo — I
«Considerando que na evolução politica do mundo contemporâneo é fato histórico, que se não pode contestar, a irresistível tendencia para a unificação moral dos grupos ethnicos, que falam o mesmo idioma, podendo até por isso definir-se o domínio da língua, na sua função social, como a pátria espiritual de uma nacionalidade;
Considerando que nem os mais poderosos Estados logram eximir-se a esta universal tendencia, como o prova o movimento de concentração que no momento atual se está operando nos povos anglo-saxonicos, nos germânicos propriamente ditos e mesmo nos povos slavos, apesar das diferenças de religião e de linguagem que separam estes últimos entre si;
Considerando que, em virtude desta tendencia, é legítimo prevêr-se como irremediável, em futuro relativamente pouco distante, se não o desaparecimento pelo menos a desintegração das pequenas nacionalidades que não consigam defender-se, pela massa dos seus habitantes, de absorção, consequência fatal da luta pela existência, cada vez mais implacável entre as grandes nações, que na sua ânsia de açambarcamento inquietam os agrupamentos secundários, embora muito adeantados em cultura;
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