A Bandeira Nacional (Eduardo Prado)
O começo — Introducção
A 15 de novembro de 1889, a guarnição e a força naval do Rio de Janeiro efetuaram a mudança da forma de governo do Brasil.
A bandeira e as armas da nação, símbolos da Patria até aquele dia, foram mudadas. Entendeu-se que a Patria também tinha mudado. No logar das instituições abolidas ficou um governo, por sua origem, por seus processos, por suas teorias, por suas praticas e por seu pessoal, inteiramente diverso do governo suprimido. O governo representativo e constitucional desapareceu. O chefe supremo do Estado, até então hereditário e limitado nos seus poderes, deixou de ser hereditário e deixou, até hoje, de ser limitado. Ficou assim criada a Republica dos Estados Unidos do Brasil.
No dia 15 de novembro, voltando os regimentos para os quartéis, os alferes enrolaram as bandeiras e, atiradas sobre uma carreta, foram elas recolhidas aos armazéns do exercito, como trastes já sem uso, símbolos mudos, que já nada diziam aos corações. A força desfilou pelas ruas, sem que sobre as baionetas rutilantes ao sol fluctuasse o velho símbolo da Patria. Têm o seu destino as bandeiras: pela manhã, o exercito lhes fazia continencias; à tarde, eram largadas, talvez, a um canto escuso do quartel. Ontem, paládio sacrosanto do patriotismo, a que foram feitos os juramentos mais solenes; hoje, pedaço de pano, que o soldado teve de abandonar e de esquecer.
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