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A Paranoia

Júlio de Matos (1856–?)

Psicologia3 h 20 de leitura177 páginas

O começo — I—PHASE INICIAL

De Areteu a Esquirol—Confusão dos delírios systematisados com a melancolia—A monomania intelectual e as suas formas depressiva e expansiva.

Se conheceram os delírios systematisados, não deixaram disso documento os escritores que precederam a nossa era. É somente a datar do primeiro século, em Areteu e Celio Aureliano, que encontramos incontestáveis e inequivocas referencias aos perseguidos.

Occupando-se dos melancólicos, escrevia, com efeito, o primeiro destes médicos: «Muitos receiam que lhes propinem venenos; os seus sentidos adquirem um redobramento de finura e de penetração que os torna suspeitosos e de uma habilidade extrema em verem por toda a parte disposições hostis» 1 . Pelo seu lado, Celio Aureliano, falando dos mesmos doentes, afirmava que muitos «experimentam uma desconfiança continua, um permanente receio de imaginarias armadilhas» 2 .

[1] Areteu, De Melancholia , apud Trelat, Recherches historiques sur la folie, pag. 10

Júlio de Matos (autor) morreu em 1922; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1993.