Nova Castro: Tragédia
João Baptista Gomes Júnior (1775–?)
O começo — Scena I.
Ignez, e Elvira.
Ign.(1) Sombra implacável! Pavoroso Espectro! Não me persigas mais… Constança! Eu morro.(2)
(1) Ignez entra na Scena delirante, e horrorizada.
(2) Assenta-se desfalecida.
Elv. Que aflição!.. Que delírio!.. Oh Deos! Senhora… Ign.(3) Onde está… onde está o meu Esposo?…
(3) Ainda fora de si, e atemorisada.
Elv. O Principe, Senhora, inda repousa, Tudo jaz em silencio: tu somente, Negando-te ao sossego, atribulada, Neste Paço, ululando, errante vagas? Que dor acerba o coração te rasga? Que sonhadas visões assim te ancêão? Ign. Contra Ignez se conspira o Ceo, e a Terra.(4) Té das campas os mortos se levantão Para me flagellar: continuamente Negros fantasmas ante mim voltêão… Que horror!.. Oh Ceos!.. Agora mesmo, Elvira,Pág. 4 Debuxados na mente inda diviso Os medonhos espectros, que, girando Em torno de mim, me assombrárão… Surgir vejo Constança do sepulcro, Que em fúrias abrasada a mim caminha… Relampagos fuzilão, treme a terra… Eis-que lá dos abismos arrojados Impios Ministros da feroz…
João Baptista Gomes Júnior (autor) morreu em 1803; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1874.