Hino à Tarde (Odorico Mendes)
Odorico Mendes (?–1864)
O começo
Que amável hora! Expiram os favônios; / Transmonta o Sol; o rio se espreguiça; / E, a cinzenta alcatifa desdobrando / Pelas azuis diáfanas campinas, / Na carroça de chumbo assoma a tarde… / Salve, moça tão meiga e sossegada; / Salve, formosa virgem pudibunda, / Que insinuas cos olhos doce afeto, / Não criminosa abrasadora chama! / Em ti repousa a triste humana prole / Do trabalho do dia, nem já lavra / Juiz severo a bárbara sentença, / Que há de a fraqueza conduzir ao túmulo. / Lasso o colono, mal avista ao longe / A irmã da noite coa-lhe nos membros / Plácido alívio: — posta a dura enxada, / Limpa o suor que em bagas vai caindo.. / Que ventura! A mulher o espera ansiosa / Cos filhinhos em…
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