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Horto (1910)

Auta de Sousa

Poesia1 h 40 de leitura91 páginas

O começo — A Eugenia

Imagem santa, que entrevejo em sonho / Sempre, sempre a cantar, / Creatura inocente, anjo risonho, / Que me ensinaste a amar!

Meu doce amor! Calhandra maviosa / Que canta dentro em mim; / Minha esperança tímida e formosa, / Meu sonho de marfim!

Amarantho do Céo, flor encantada, / Mimoso colibri; / Minha açucena pálida e maguada, / Meu niveo bogary;

Gota de orvalho a tremular num lírio / Que mal começa a abrir; / O’ tu que apagas meu cruel martírio / E que me fazes rir;

Madressilva entreaberta, lira de ouro, / Celeste beija-flôr; / Minha camélia, meu sorriso louro, / Amor de meu amor;

Guarda estes versos que só dizem mágoa / E tristezas sem fim… / Deixa-os no seio como a gota dágua / No cálix de um jasmim…

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