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Clepsidra: Poemas de Camilo Pessanha

Camilo Almeida Pessanha (1867–?)

Poesia11 min de leitura10 páginas

O começo — SONÊTOS

Tatuagens complicadas do meu peito: / —Trophéos, emblemas, dois leões aládos… / Mais, entre corações engrinaldados, / Um enorme, soberbo, amor-perfeito…

E o meu brasão… Tem de oiro num quartel / Vermelho, um lis; tem no outro uma donzela, / Em campo azul, de prata o corpo, aquela / Que é no meu braço como que um broquel.

Timbre: rompante, a megalomania… / Divisa: um ai,—que insiste noite e dia / Lembrando ruínas, sepulturas rasas…

Entre castelos serpes batalhantes, / E águias de negro, desfraldando as azas, / Que realça de oiro um colar de besantes!

Camilo Almeida Pessanha (autor) morreu em 1926; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1997.