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Panegírico de Luiz de Camões

J. M. Latino Coelho (1825–?)

Biografia e memóriasCrônica e ensaio20 min de leitura18 páginas

O começo

Senhores.--Quando o viajante, ao cursar as ermas e dilatadas planícies, onde entre o Eufrates e o Tigre, em séculos remotos floreceram as grandes e conquistadoras monarquias asiáticas, collossos na amplitude e no poder, revoca à mente scismadora as magníficas memorias daqueles soberbissimos impérios, encontra em redor de si a aridez e a solidão. Mas as ruínas monumentaes dos antigos e majestosos edifícios nos logares hoje desertos, onde outr'ora pompearam as cidades babylonias e assyrias, lhe estão ainda ensinando com a mudez eloquente das ruínas venerandas, a imagem da grandeza que passou.

Tudo é pequeno e transitório neste mundo, excepto a humanidade, a cadeia ininterrupta, por onde as sucessivas gerações umas às outras vão transmitindo, acrescentado, o tesouro da comum civilização.

Nascem, crescem, avigoram-se, florescem, decaem, e sepultam-se para sempre no tumulo da historia as nações e os heróis, por mais procéras e giganteas, que o destino lhes talhasse a estatura e as proporções.

J. M. Latino (José Maria Latino) Coelho (autor) morreu em 1891; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1962.