
O Príncipe
Nicolau Maquiavel (?–1527)
O primeiro livro a descrever o poder como ele é, e não como deveria ser. Escrito para conseguir emprego.
Por que ler
Maquiavel tinha sido torturado e afastado do governo de Florença quando escreveu este livro e o dedicou à família que o havia derrubado, na esperança de voltar a ser útil. Nunca voltou. O que ficou foi o primeiro tratado político que separa o que se deve fazer do que funciona — e essa separação, mais do que qualquer conselho isolado, é o que fez o nome dele virar adjetivo.
Para observar
O livro tem fama de manual de canalhice e é, sobretudo, uma descrição. Repare quantas vezes ele diz "os homens são assim" antes de recomendar qualquer coisa: o cinismo é diagnóstico. E leia o último capítulo — o tom muda completamente, e é um apelo pela unificação da Itália.
O começo — I · Quantos tipos de principados existem e por que meio são adquiridos
Todos os Estados, todos os poderes, que têm e mantêm o domínio sobre os homens, foram e são ou repúblicas ou principados.
Os principados são hereditários, onde a família foi estabelecida há muito tempo; ou são novos.
Os novos são ou inteiramente novos, como foi Milão para Francesco Sforza, ou são, por assim dizer, membros anexados ao estado hereditário do príncipe que os adquiriu, como foi o reino de Nápoles ao do rei de Espanha.
Tais dominios assim adquiridos são ou acostumados a viver sob um príncipe, ou a viver em liberdade; e são adquiridos ou pelos braços do próprio príncipe, ou de outros, ou de outra forma por fortuna ou habilidade.
Tradução feita pelo Fio a partir de texto livre. A obra original é de domínio público no Brasil; a tradução é obra nova (Lei 9.610/98, art. 7º, XI) e o Fio a coloca em domínio público (CC0). Partida: W. K. Marriott (tradutor) morreu em 1927; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1998.