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Ruy o Escudeiro: Conto

Luís da Silva Mousinho de Albuquerque (1792–?)

RomanceContosPoesia1 h 10 de leitura62 páginas

O começo — HYMNO.

Vai fugindo o Sarraceno Mais pronto do que avançou, Que todo o poder terreno Por Christo desbaratou O braço aos perros fatal De Affonso de Portugal.

Cada um dos Cavalleiros, Que por Christo ao campo vem, Cem dos infiéis guerreiros Na peleja ante si tem; Mas tudo cede ao real Affonso de Portugal.

Cinco Reis de infiéis mouros Contra os de Christo vieram, Deles teve Affonso os louros, As costas a Affonso deram, Deu Deus esforço imortal A Affonso de Portugal.

Sobre o campo da vitória, Onde Christo lhe appar'ceu, E pr'a o escudo em memoria As próprias Chagas lhe deu, Ao trono alcemos real Affonso de Portugal.

Este Heroe, que Deus ajuda Tome a nossa vassalagem: Sempre ao povo seu acuda Ou Elle, ou sua linhagem: Seja pr'a sempre real A coroa de Portugal.

Sempre entro nós haja Rei Natural de nossa terra, Que na paz conduza a grei, E que a defenda na guerra, Qual o primeiro real Affonso de Portugal.

Em quanto uns assim cantam dos soldados, Vão outros pelo campo divagando: Estes colhem despojo inda espalhado, Aquelles seco mato vão cortando; Ascende ao ar o fumo, que enrolado Das accezas fogueiras vem manando, Onde est'outros preparam o alimento Dos membros lassos próvido sustento.

Luís da Silva Mousinho de Albuquerque (autor) morreu em 1846; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1917.