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Galateia Égloga Primeira e Segunda Parte

António Joaquim de Carvalho

PoesiaReligião e mito31 min de leitura27 páginas

O começo — Abertura

Com Licença da Meza do Dezembargo do Paço.

Esta primeira Egloga, ha 16 anos impressa, agora faço-a reimprimir, para tirar-lhe as lisongeiras Cartas, para emendar-lhe algumas passagens com melhor escolha, para curar-lhe alguns vícios gerados por aqueles, que duas vezes a reimprimírão, a pesar do meu gosto, e para ligar ambas as Partes, por que a primeira dá a matéria para a segunda.

Se me increparem, porque faço domavel o Gigante Polyfemo, contra a opinião dos melhores Poetas, respondo: He verdade, que a Fabula nos mostra este Cyclope hum monstro de crueldade, de extraordinárias forças, e destemido: hum tragador de seis companheiros de Ulysses, e dele mesmo o seria, se astucioso não lhe fugisse: hum soberbo em fim, que declamava, que nem ao mesmo Jupiter temia; mas pergunto: Este Gigante era humano, ou não? Todos me dirão, que sim. Pois se era humano, era sujeito ao império da Razão, com cujas armas o ataco, e o venço: e só seria inverosímil, se eu com a razão accommettesse hum Tigre, hum Leão, uma Serpente. Se os mais não pizárão esta estrada, porque não quiseram,…

António Joaquim de Carvalho (autor) morreu em 1817; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1888.